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O Julgamento Final Egípcio

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O Julgamento Final Egípcio

Mensagem por Amunherkhepeshef em 3rd Outubro 2014, 2:27 pm

Os antigos egípcios eram um povo muito espiritualizado e religioso, não seria exagero falar que eles foram, talvez, o povo mais religioso que temos registros, para eles, todos (sem exceção) viventes eram seres dotados de alma, não importando a cor da pele (se fosse uma pessoa), e a raça do animal, enfim, diferente de outras civilizações que os rodeavam, os egípcios eram muito diferentes, não há indícios de escravidão na sociedade egípcia. Existiam sim os prisioneiros de guerra, como em qualquer outra civilização antiga, mas esses escravos eram como uma garantia que o povo de qual eles foram retirados não iriam se rebelar novamente, funcionavam como uma espécie de garantia. O que difere os egípcios nessa história é que, diferente das outras civilizações, esses prisioneiros de guerra não eram submetidos à trabalhos penosos, mas trabalhos domésticos em casas e templos, além de que, eles poderiam ser libertados e integrar a civilização egípcia. Aquela visão que muitos tem de capatazes batendo em seus escravos com um chicote, enquanto eles trabalham, pode ser esquecida quando falamos do Egito, essa é uma visão européia acerca da escravidão, escravidão que não acontecia no Egito, isso está dentro da história do Brasil inclusive, esse tipo de escravidão existiu por aqui e deixou marcas, embora alguns não queiram admitir, temos o preconceito enraizado em nossa sociedade, e o pior preconceito de todos, o preconceito que é feito de maneira velada. Então fica complicado para nós, um povo colonizado por europeus que escravizavam, que aprendemos escravizar em seguida, admitir que uma civilização do porte da egípcia conseguiu crescer sem escravidão, ainda mais quem leva tudo que está na bíblia como verdade absoluta e inquestionável, e o Brasil é um país com maioria esmagadora de cristãos em suas mais diversas vertentes. Mas falando em história e arqueologia, todas descobertas colaboram contra a hipótese de escravidão no Egito.
Em outro aspecto que os egípcios eram diferentes, era com as mulheres, enquanto em praticamente todas civilizações vizinhas a mulher fosse vista — e tratada, como objeto, na sociedade egípcia a mulher tinha um papel fundamental, tanto é que, as mulheres estão presentes em toda sociedade egípcia, de rainhas poderosas como Nefertiti e Nefertari (imagem acima, à direita), que são conhecidas até hoje, à religião com deusas populares como: Ísis, Hathor, Néftis, Maat, entre outras, até o poder faraônico, no caso de mulheres que governaram o Egito, posso citar Nitócris e Hatshepsut (imagem ao lado), essa última governou o país na época de ouro com todas responsabilidades de um faraó, numa época em que viveram alguns dos maiores faraós da história do Egito, como Tutmés III (O Napoleão do Egito), Ahmose e Amenhotep II. Então podemos chegar a conclusão que sim, realmente o Egito era um país diferente de seus vizinhos, um país que tinha suas peculiaridades e que não tem uma história rica atoa, afinal, no Egito nasceram muitas coisas que utilizamos atualmente, esse é um dos motivos pela minha atração com a história egípcia.

Os egípcios acreditavam que Osíris, o deus dos mortos, iria estar esperando-os para um acerto de contas, ou numa visão mais romântica da história, um julgamento final, o juízo final, mas para isso acontecer, antes o corpo da pessoa teria de estar embalsamado, para que se o falecido lograsse êxito no julgamento, a alma dele pudesse reconhecer o corpo.Por esse motivo os egípcios desenvolveram várias técnicas de embalsamamento, e técnicas que permanecem contemporâneas, mas nem sempre foi assim, todo aprendizado dos egípcios foi na base da tentativa-erro-tentativa-acerto, não tenham dúvidas que muitos corpos foram destruídos por terem sido mal embalsamados, nas primeiras mumificações por exemplo, eles mantinham o cérebro, porém, o cérebro só é um pouco sólido enquanto está em atividade, depois que morremos ele vira uma espécie de líquido viscoso, semelhante a um sagu de leite condensado (agora você vai olhar ele de outra forma, hahah), então os egípcios percebendo isso, tiveram a brilhante ideia de retirar o cérebro pelas narinas do falecido, dessa forma, com várias tentativas, erros, acertos, eles aprimoraram as técnicas de embalsamamento, abaixo deixarei algumas notas para complementar o assunto.

Mesmo tendo o corpo embalsamado, os egípcios acreditavam que precisariam de algo a mais, O Livro de Sair à Luz, que é uma obra que eles creditavam ao deus da sabedoria e magia, Thot. Essa era uma obra com várias fórmulas, orações, encantamentos, instruções, entre outros tipos de textos, que ajudaria o falecido no pós morte, ela deveria ser enterrada junta com seu dono, e consequentemente, por ela ser enterrada sempre, em todas vezes que os exemplares dessa obra foram encontrados por exploradores, arqueólogos e afins, foram em sepulturas, isso deu erroneamente o nome de "Livro dos Mortos" a essa obra milenar.


Deus Thot fazendo o papel de escriba dos deuses, ele anota tudo que ocorre no julgamento final.



Abaixo vemos um trecho dessa obra, nesse trecho o falecido faz as afirmações negativas para o deus Osíris no Salão de Maat.


“Homenagem a ti, ó Grande Deus, Senhor da dupla Maat, vim ver-te ó meu Senhor, e cheguei até aqui para contemplar tua beleza. Conheço-te, conheço o teu nome, e conheço os nomes dos quarenta e dois deuses que estão contigo na Sala da dupla Maat, que vivem como carcereiros de pecadores e se alimentam do sangue destes últimos no dia em que a vida dos homens são tomadas em consideração na presença do deus Un-nefer; na verdade ‘Recti-merti-neb-Maati’ (irmãs gêmeas com dois olhos, senhoras da dupla Maat) é o teu nome. Na verdade vim a ti e trouxe-te Maat (justiça e verdade), e destruí a maldade para ti.


◘ Não fiz mal à humanidade.
◘ Não oprimi os membros da minha família.
◘ Não pratiquei o mal em lugar da justiça e da verdade.
◘ Não tenho conhecido homens sem valor.
◘ Não tenho praticado o mal.
◘ Não tenho feito que a primeira consideração de cada dia seja a de mandar realizar para mim um trabalho excessivo.
◘ Não apresentei meu nome para exaltação de honrarias.
◘ Não maltratei criados.
◘ Não desprezei a Deus.
◘ Não fraudei o oprimido de sua propriedade.
◘ Não fiz o que os deuses abominam.
◘ Não fui causa de que o chefe prejudicasse os servo.
◘ Não causei dor.
◘ Não fiz nenhum homem sofrer fome.
◘ Não fiz ninguém chorar.
◘ Não pratiquei homicídio.
◘ Não dei ordem para que nenhum homicídio fosse praticado em meu proveito.
◘ Não infligi sofrimento ao gênero humano.
◘ Não fraudei os templos das suas oblações.
◘ Não roubei os bolos dos deuses.
◘ Não furtei os bolos oferecidos às almas imortais.
◘ Não forniquei.
◘ Não me polui nos lugares sagrados do deus da minha cidade.
◘ Não subtraí coisa alguma do alqueires.
◘ Não acrescentei nem roubei com fraude terra nenhuma.
◘ Não me apossei dos campos de outrem.
◘ Não mexi nos pesos da balança para enganar o vendedor.
◘ Não li errado o que indicava a balança para enganar o comprador.
◘ Não tirei o leite da boca das crianças.
◘ Não levei o gado que estava em seus pastos.
◘ Não peguei no laço os pássaros de penas das coutadas dos deuses.
◘ Não peguei peixe com isca de feita de peixe da sua espécie.
◘ Não represei água no tempo em que ela devia correr.
◘ Não sangrei nenhum canal de água corrente.
◘ Não apaguei o fogo (ou luz) que devesse arder.
◘ Não infringi os tempos de oferecer as oblatas seletas de comida.
◘ Não espantei o gado da propriedade dos deuses.
◘ Não repeli Deus em suas manifestações.


Sou puro. Sou puro. Sou puro. Minha pureza é a pureza do grande Benu que está na cidade de Suten-henen (Heracleópolis), pois eis que sou o nariz do Deus dos ventos, que faz toda a humanidade viver no dia em que o Olho de Rá está cheio em Anu (Heliópolis) no fim do segundo mês da estação Pert (isto é, a estação de crescer) na presença do divino senhor da terra. Vi o Olho de Rá quando estava cheio em Anu e, portanto, não me aconteça nenhum mal nesta terra e na Sala da dupla Maat, pois sei os nomes dos deuses que ali estão e que são os seguidores do grande deus.”


Cena do conhecido Papiro de Ani, que é o livro de sair à luz (ou livro dos mortos) do escriba Ani, datado da XVIII dinastia, aproximadamente 1300 a.C.


Links úteis: farao
◘ Nota sobre a decomposição: http://on.fb.me/1tfrmAP
◘ Nota sobre embalsamamento moderno: http://goo.gl/n1TiSv
◘ Reflexões conceituais sobre a morte: http://on.fb.me/1eYq83v
◘ Minhas notas: https://www.facebook.com/Daviid.BR/notes
◘ MITOLOGIA EGÍPCIA: As cinco partes da alma: http://on.fb.me/QhKb7f
◘ Mitologia & Religião Egípcia: bit.ly MitologiaEgipcia
◘ Títulos disponíveis para download: bit.ly AcervoEgiptologiaBrasil
◘ Página Egiptologia Brasil: bit.ly EgiptologiaBrasil



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